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Biografia
O poeta, músico e compositor, Alexandre França nasceu no dia 10 de agosto de 1982 na cidade de Curitiba – PR. Começou o seu estudo musical com sete anos ao ingressar no curso preparatório da Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Aos dez, inicia um estudo de violino que seria posteriormente aprofundado com o seu ingresso, no ano de 1992, no curso intermediário da EMBAP No período de 1997 à 1998 freqüenta as aulas de violão do maestro Waltel Branco e neste mesmo período, Alexandre inicia uma parceria no desenvolvimento de canções populares com o poeta Luiz Felipe Leprevost. Entre 1998 e 2000, França da continuidade aos estudos de violão com o violonista Mario da Silva, sendo que no final de 1998 participa das oficinas de música de violão de sete cordas, com Luis Otávio Braga, e de composição popular com a cantora e compositora Fátima Guedes.
Em 1999, ganha o primeiro prêmio do então “festival de música popular” do colégio positivo. Em 2000 ingressa na Faculdade de Comunicação Social de Curitiba, na qual se formou com destaque por receber a primeira colocação no prêmio universitário mais importante na área de publicidade e propaganda: o “Debutantes da Propaganda”.
Ainda em 2000 atua no curso de artes cênicas na escola de teatro Cena Hum, sob a supervisão de George Sada, sendo que dois anos depois compõe canções para uma peça infantil do dramaturgo, diretor e ator Gilberto Camargo.
Em 2002 ingressa no curso de letras clássicas da Universidade Federal do Paraná. No ano seguinte, França além de escrever a sua primeira peça de teatro, “às cegas”, com direção de Emerson Rechenberg, lança também o seu primeiro livro de poemas “Mata-Borrão, Batom”, com temas densos e existenciais, que possuiu uma boa repercussão por parte dos meios de comunicação e da crítica especializada.
Neste mesmo período participa de recitais de poesia (“projeto Jazz e Poesia”) e trabalha como músico em diversos bares da cidade. Em 2005, França lança seu segundo livro “Toda mulher merece ser despida”, pela Kafka edições baratas (selo do também poeta Fernando Koproski).
Nos últimos anos, Alexandre França vem compondo com importantes parceiros da música e da poesia, tais como: Ulisses Galleto (grupo fato), Gilson Fukushima (grupo fato), Fernando Koproski, Troy Rossilho, Edson Falcão, Thomas D’Haese, Luiz Felipe Leprevost, entre outros.
Opiniões
Numa bosta de luau promovido por garotinhos cagões
Não é que ele só queira escrever umas canções tristes. O fato é que ele só consegue fazer dessa maneira, com tristeza. Sei que ele era a fim de dar porrada num bando de play-boys babacas que freqüentavam o cursinho pré-vestibular do Colégio Positivo. Sei do desprezo dele pelas patys que circulam ali pelo Shopping Cristal. Então é por isso que ele derruba a munheca naquele violão. Por isso e porque ele adora a noite curitibana com toda sua neblina característica, com todas aquelas pessoas vestidas com sobretudo preto bebendo vinho Campo Largo e fazendo merda no calçadão do Largo da Ordem. Só que o cara não é tosco, ele estudou música clássica, ele estudou violão com o maestro Waltel Branco, caralho, não foi qualquer um que teve esse privilégio. Só que mesmo assim ele prefere enfiar a porrada naquele violão, o mesmo que presenciei uma vez voar e passar raspando por uma fogueira igualmente nervosa numa bosta de luau promovido por garotinhos cagões lá na praia do Condomínio Atami. Naquele dia o maluco vomitou sangue, literalmente, e a partir de então minha má influência havia tomado conta da sua vida. Quer saber? Foda-se. Com toda areia e outras tantas sujeiras ele continuou tocando aquele violão desesperado. Meses depois o violão continuava comprometido, saía areia de tudo que é lugar. Acho que aquele violão nunca mais foi limpo, acho que ninguém teve a manha de passar um paninho nele. Porra, tô querendo dizer o seguinte: Que bom que o violão do França foi sujo por muito tempo. Que bom que a voz dele é uma voz meio estragada já naturalmente e piorada com maços de Malboro e garrafas de conhaque. Foi você, Bróder, que me ensinou que a solidão não mata, só dá a idéia. Isso bem antes do teu disco existir. O que posso dizer? Teu álbum é belo e triste, belo porque triste. E quem quiser degustá-lo tem que saber que por trás duma estudada docilidade virá o veneno sinistro corroendo a garganta, incendiando a traquéia, revirando o estômago. E como resultado final, inevitavelmente sentirá os olhos nublarem.
Luiz Felipe Leprevost
Rio de Janeiro - Baixo Leblon
07/11/2006 - 00:28 horas
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